Re-descobrindo os quadrinhos nacionais

- Parte 3 -

O passado e o futuro, hoje

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Por Leonardo Santana (09/09/04)

 

    Quem acha que o “Dogão é mau”, é porque não conhece Zé Gatão, criação e criatura de Eduardo Schloesser. Zé Gatão é quadrinho adulto na melhor concepção da palavra: sexo, violência e crítica social sem maquiagem e em doses cavalares.

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    Zé Gatão é um misto humanóide de gato com lince, com pinta de halterofilista, muita rebeldia e atitude, pronto para encarar uma boa briga de peito aberto. Nas páginas de Zé Gatão há cenas de sexo explícito, violência crua e, muitas vezes, escatológica e, ainda, momentos de reflexão sobre sentimentos pessoais (como solidão e medo da morte), sociais (como seu lugar na sociedade), ditadura e política. Mas, mesmo não sendo um trabalho de fácil digestão, ele é rico em honestidade.

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    Quando autoresm se mete a escrever e desenhar seus próprios trabalhos, as vezes, um ou outro ficam comprometidos ou relegados a uma importância menor. Isso não acontece com o Eduardo. Suas histórias são bem dosadas e tem muita ação, reflexão e seguem um ritmo que muitas vezes nos parece um filme, ao invés de quadrinhos. Seus desenhos são um show à parte, com excelentes estudos anatômicos. Isso sem falar nas gatinhas e cadelas que o cara desenha (literalmente!).

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    O primeiro álbum de Zé Gatão foi, como a maioria dos trabalhos brasileiros, auto-publicado, ou seja, o Eduardo bancou a primeira edição e, com sorte, vocês ainda podem encontrá-lo em comic shops a um preço médio de R$ 12,00. O segundo, já teve o apoio da Via Lettera, mas o preço dobrou de valor. Ainda assim, é uma leitura que eu recomendo. Comprem e conheçam um mundo onde a rebeldia da juventude ainda resiste da forma mais crua e selvagem que conhecemos. Eu sempre gosto de comparar: Tivesse sido criado na Itália, Zé Gatão teria o mesmo destaque que um Ranxerox. No Brasil, ele ainda espera o devido destaque e reconhecimento do grande público.

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Complementando o serviço das colunas anteriores

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    Só falar em quadrinhos nacionais não ajuda em nada se eu não informar onde talvez vocês possam encontrá-los. E, minha principal preocupação ao iniciar essas colunas era que pudéssemos aumentar o nosso número de leitores de quadrinhos nacionais mostrando alguns exemplos de quadrinhos de qualidade. Portanto, esse adendo se faz necessário.

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    Na primeira coluna falei do Quebra-Queixo e do Leão Negro. O Quebra-Queixo tem um álbum disponível pela Editora Devir (se não me engano) e pode ser encontrado em comics shops (tem também uma revistinha que saiu pela Brainstore mas essa só em sebos, eu acho). O Leão Negro pode ser comprado diretamente dos seus criadores através do site deles.

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    Na segunda coluna falei dos livrinhos de bolso da Ópera Gráfica. Talvez sejam encontrados ainda em comics shops.