Re-descobrindo os quadrinhos nacionais

- Parte 2 -

O passado e o futuro, hoje

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Por Leonardo Santana (18/09/04)

 

   Sabe por que se torna indescritivelmente difícil encontrar coisas boas em se tratando de quadrinho nacional? Por que não estamos procurando. Comigo era assim. A partir do momento que comecei a escavar novos materiais nacionais para ler, comecei a me deparar com muita coisa legal (e com muito lixo também – exatamente como os quadrinhos de todo o mundo).

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    Semana passada adquiri duas revistinhas da série "Coleção Opereta". São elas "Cruzada Infinita" de Bruno Stahl e "O Lado Escuro da Alma" de Watson Portela. Comprei na curiosidade e pelo preço acessível de uma promoção que não dava para perder e fiquei com aquele gostinho de quero mais, de tão boas que eram aquelas histórias.

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    De Watson Portela não há muito que falar.

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    O cara é um semi-deus para mim e sou fã de quase tudo o que o cara faz. Seu estilo punk-futurista de traços límpidos e garotas sexys são, para mim, o supra-sumo das histórias de ficção-científica e fantasia.

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    E em "O Lado Escuro da Alma" tem tudo isso e muito mais. Ao terminar de ler a história de enredo simples, mas extremamente eficaz, bateu o sentimento de nostalgia e de revolta por não poder acompanhar suas paralelas numa revista mensal. Mas não numa revista de variedades – ao meu ver uma das maiores responsáveis pelas mortes prematuras das publicações no Brasil são essas revistas que misturam terror com humor com ficção com um monte de coisas e acabam não agradando a ninguém, mas falo melhor disso em outra oportunidade – e sim numa revista só de ficção e de aventura. Algo assim.

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    Quanto ao Bruno Stahl, que surpresa agradabilíssima ler e apreciar sua "Cruzada Infinita".

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    Uma ficção-científica com um roteiro simples e profundo ao mesmo tempo e, onde cada página podia ser apreciada como um quadro em preto e branco, com uma arte-finalização belíssima.

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    Eu não o conhecia (eu sei, mais uma vergonha que terei que carregar), mas posso dizer que jamais vou esquecer o seu nome ou o seu trabalho.

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    E mais uma vez eu me pergunto por que não estamos acompanhando suas aventuras em revistas mensais? Vou me perguntar isso tantas vezes até, quem sabe, um dia eu consiga ver todos esses artistas publicando seu material em nossas bancas todos os meses.

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   Agora, como nem tudo são flores, aí vão as minhas críticas quanto a essas duas revistinhas:

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   A editora Opera Gráfica tem feito algo em prol de nossos quadrinhos, eu acredito, mas o formato como essas duas revistas saíram são um verdadeiro desincentivo ao leitor para comprá-las. Formato de bolso (embora alguns adorem, na hora de guardar em minha instante, elas não cabem em nenhuma pilha e ficam soltas) e preço alto (quando saiu em banca era R$ 5,00, se não me engano – essas aí só comprei porque saiu a R$ 2,00 cada uma)  não ajudam muito na hora de vender. Pode até ser que a série tenha sido um sucesso de vendas, mas ainda acho esses fatores meio indigestos.

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    Na minha opinião, eles deveriam ter pegado essas histórias e lançado numa revista (podia até ser formatinho como era o da Abril antigamente), colocava um título legal, tipo “Ópera Ficção” (tá, ficou horrível, mas se atenha a idéia) e lançava cada número com uma HQ. Na nº 1 viria "O Lado Escuro da Alma", a 2 vinha "Cruzada Infinita" e assim por diante.

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    Bom, fica aí o registro de duas belas HQs (mesmo em formatos horríveis) que mostra que tem muita coisa boa rolando no Brasil, de artistas Brasileiros e que muitas vezes não nos damos conta simplesmente por que não queremos nos arriscar.

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    Meu conselho é: arrisquem! A vida nos reserva algumas boas surpresas quando ousamos arriscar.