Areia Hostil entrevista
O
JJ Marreiro
O
Por Lorde Lobo (08/02/05).
|
O cearense JJ Marreiro é um dos quadrinhistas da atual geração que mais tem se destacado. Com seu espírito criativo inquieto, chega a manter muitos projetos em andamento ao mesmo tempo, e o que é mais importante, com eficiência e resultado impecáveis! Quadrinhista, editor independente, pesquisador das HQs e ilustrador são só algumas das tarefas que este artista desempenha com louvor. O traço de Marreiro já é bastante conhecido, visto que suas ilustrações são mensalmente publicadas na revista Wizard, na coluna "Universo HQ" mas, a partir de agora, você também poderá conhecer um pouco mais sobre ele, confira na entrevista abaixo: O O
O JJ Marreiro: Nasci em 1971, no Hospital Geral de Fortaleza onde moro até hoje... na cidade, não no Hospital! Minha formação é na área da Comunicação, mais especificamente Publicidade. Sempre estive envolvido com artes, desenho, música, teatro (além de atuar até já escrevi até umas peças). Trabalho profissionalmente como Professor de desenho e ilustrador publicitário. O AH: Quando você notou que sabia desenhar? Começou copiando alguém? O JJ: Pensando bem... desenho desde que consegui segurar um lápis, isto é, desde mais ou menos uns 4 anos de idade, ainda tenho desenhos desta época em meu arquivo. Agora, saber desenhar mesmo com técnicas e critérios levou muito tempo, acho que em 91, comecei a fazer algo menos improvisado, foi nesse período que comecei a ganhar dinheiro com desenho também. Primeiro informalmente, mas de 93 em diante a coisa ficou mais intensa. Isso não quer dizer que eu tenha parado de tentar evoluir, mas tem uma época em que a gente fica mais seguro um pouco e descobre que caminhos quer seguir. O AH: Quando, ou por que, decidiu fazer suas próprias histórias em quadrinhos? O JJ: Taí uma pergunta muito, muito boa. Comecei a desenhar hqs com uns oito anos de idade, esse material também tá no meu arquivo. São HQs muito ingênuas, muito engraçadas, feitas em folha de caderno com caneta esferográfica e pintados com lápis de cor. Acho que minha motivação era apenas a diversão, eu queria desenhar os personagens fortões que eu via nos gibis. O AH: Os fanzines vieram logo em seguida? O JJ: Bom, comecei com fanzines por volta de 93, 94, por aí. Eu fazia as ilustrações pra fanzines de Ficção Científica e co-editava um zine de RPG, onde publicava também meus quadrinhos. Tinha muita energia na época, mas muito pouca técnica. O AH: Você chegou a fazer alguma oficina de HQ? O JJ: Estudei no curso da Oficina de Quadrinhos da UFC, um projeto de extensão do Curso de Comunicação da Universidade Federal do Ceará, criado pelo Prof. Geraldo Jesuíno (um Mestres do Quadrinho cearense). Comecei como aluno, depois virei monitor e Professor de lá. Considero uma honra ter participado da Oficina de Quadrinhos da UFC. O AH: Qual a importância de se buscar um curso como este? O JJ: No início todo mundo tem muita energia e força de vontade, mas essa energia tem que ser direcionada. A gente precisa aprender o lado teórico, o lado prático, o lado artístico e o lado humano. É preciso conhecer as bases do desenho antes de sair estilizando tudo. É como construir uma casa ou prédio, tem que ter o alicerce, a base. Pra desenvolver seu estilo de desenho você tem que conhecer diversas opções de finalização, soluções estéticas das mais acadêmicas às mais maluconas e aí escolher a sua opção. Se o desenhista só conhece uma versão, um só jeito de desenhar as coisas ele está destinado a ser um artista limitado. Outra coisa importante é aprender a respeitar as diferenças, cada um tem suas preferências, cada um tem seu pique, seu timming e é importante aprender sobre essas diferenças pois em qualquer ramo estamos expostos á necessidade de trabalhar em equipe. E é divertido trabalhar em equipe, mas tem que saber respeitar a opinião do outro, isso não significa concordar, mas respeitar e fundamental. O AH: Como é a cena quadrinhística aí no seu Estado? O JJ: Conheço excelentes artistas por aqui, alguns produzem pro mercado americano, outros estão nos jornais da cidade, outros em agências de publicidade ou em estúdios. Fortaleza é uma cidade alegre com praias bonitas (umas poucas poluídas) tem um bom movimento turístico nas altas estações e os quadrinhistas cearenses são como irmãos com quem você pode até brigar, mas você nunca consegue guardar raiva de ninguém por muito tempo. Mesmo porque aqui todo mundo tem uma mania besta de querer ser humorista e ficar fazendo piadinha com os outros... Acho que sou o único daqui que não sabe contar piada. Estamos agora envolvidos num movimento que pode levar a criação de uma Associação de Cartunistas do Ceará, mas antes que acabe em Pizza, vamos começar com Pizza e vamos com Pizza até o fim.
O AH: Ao se falar em quadrinhos cearenses, pensa-se logo no Manicomics. Como surgiu este fanzine? O JJ: O Manicomics surgiu na época da Oficina de Quadrinhos. Lá se editava uma revista chamada Pium, cuja periodicidade era incerta. Tão incerta que teve uma vez que ficou um ano sem sair. Com isso alguns autores se juntaram pra publicar suas próprias HQs. O AH: Aliás, te incomoda o fato de chamarem o Manicomics de ”fanzine”? Preferes o termo “revista independente”? O JJ: Não tenho nada contra o termo fanzine, talvez fosse mesmo mais adequado usar a terminologia revista independente porque o fanzine pressupõe uma publicação de quem é fã de alguém ou de algo. Como é muito estranho você dizer que é fã de seu próprio trabalho a terminologia revista independente é sem dúvida mais apropriada. O AH: Além de você, o Daniel Brandão e o Geraldo Borges formam o grupo quadrinhístico conhecido como “Os Impossíveis”. Fala um pouco sobre estes dois caras. O JJ: São dois talentos. O Daniel tem uma força de vontade impressionante, ele é um cara determinado e persistente. Se você mandar ele enxugar um iceberg ele só vai perguntar se você tem toalha suficiente à disposição, nunca vi ele negar um trabalho cujas circunstâncias fossem justas. O Geraldo é dono de um traço dinâmico, sensual, limpo, versátil e o senso narrativo dele é imprevisível. Ele é capaz de virar os acontecimentos de uma história tão rapidamente que nem o Salamayan seria capaz de prever o final e ao mesmo tempo ele faz isso como quem bebe água, com uma imensa simplicidade. Esses caras que criaram o Manicomics junto comigo são como aqueles guerreiros que a gente vê nos filmes. Lembra dos 300 de Esparta? Pois é se o sol for encoberto por flechas esses caras são daquele tipo que diria “Beleza! Vamos lutar na sombra!” . Trabalhamos juntos há muito tempo, fundamos juntos o primeiro estúdio profissional de quadrinhos do Ceará (registrado na junta comercial como tal), já passamos por muitas batalhas juntos a ponto de fazermos coisas que eram consideradas impossíveis, como viver de quadrinhos no Ceará. O AH: Algumas pessoas me fazem esta pergunta, e agora repasso ela a você: Por que vocês abrem espaço para outros artistas, ao invés de publicarem material só de vocês? O JJ: Se você cria um blog e só fala de você, ninguém vai querer voltar pra ler as mesmas coisas de novo. Fica um negócio muito restrito ao seu próprio umbigo. Se a gente tem espaço e pode dividir com pessoas que tem talento, nós só temos a ganhar e a aprender com esse convívio. O AH: E como se dá a seleção dos colaboradores? O JJ: Não e fácil publicar no Manicomics. Mesmo sendo um fanzine temos critérios de seleção bem rígidos e de vez em quando a gente puxa a orelha um do outro. Eu sou o primeiro a falar quando alguém desenha uma seqüência de difícil compreensão pro leitor. O leitor é tudo! Ele tem que entender a história, se ele não entender, alguém vai levar puxão de orelha. Pra gente publicar um novo colaborador pedimos que ele nos envie pelo menos 3 HQs. Sem isso o leitor não vai memorizar o nome dele. As hqs têm que ter clareza e objetividade. Os desenhos não precisam ser geniais, mas as fisionomias tem que ser reconhecíveis. A anatomia, perspectiva, cenários , objetos de cena não podem causar confusão ou desconforto ao observador. O storytelling tem que ser claro e convincente. A história pode ser de qualquer gênero, até pornô, mas tem que ser divertida. Tentamos evitar elucubrações metalingüísticas pós-modernas ou qualquer coisa que impeça o leitor de se divertir. Normalmente nossos colaboradores entram em contato, enviam uma ou duas hqs e aí a gente responde se dá ou não dá pra publicar. Infelizmente temos dito mais “não” do que “sim” a nossos pretensos colaboradores. As pessoas acham que porque somos um fanzine vamos publicar qualquer coisa que nos mandarem... Infelizmente não é assim. Mesmo que nossos colaboradores não recebam remuneração financeira não podemos publicar tudo que nos enviam. Graças a esse tipo de critério publicar no Manicomics está se tornando bom pro currículo dos desenhistas e roteiristas. O
O JJ: Queria muito falar da Brado Retumbante, mas ela é uma revista e não um fanzine, mesmo assim vou citar pois alguns de seus colaboradores já publicaram em zines como o Francinildo que ainda edita o excelente Heróis Brazucas. A Brado é produzida com muito profissisonalismo e no gosto de muitos leitores está acima das estranhices que a Panini tá publicando hoje. Nota 9 para a Brado (tem um ou dois desenhistas que precisam ter mais fome de bola pra chegar no 10). Heróis Brazucas: Precisamos dessa publicação. Os leitores novos precisam conhecer o Homem Lua, Raio Negro, Jerônimo, Escorpião, etc. E heróis novos ganham um destaque que deveria ser dado também nas bancas. Heróis Forever: Resenhas, matérias, entrevistas sobre heróis tradicionais da Marvel e DC. Também trás HQs muito divertidas de Henrique Kifer e Kildare Ferreira. Devoradores de Gibis: Um zine totalmente de resgate aos velhos tempos, tas capas, HQs, comentários de leitores que viveram a era de ouro da HQ brazuca. Made in Quadrinhos: Sempre com matérias legais e entrevistas imperdíveis. O Alex Sampaio tem uma sorte danada com os entrevistados, eles parecem que sempre aparecem mais depois que são entrevistados por ele. É tipo um termômetro dos quadrinhos brasileiros. QI: A bíblia das publicações alternativas do Brasil. A seção de cartas é das melhores, com opiniões bastante variadas acaba sendo informativo e instrutivo pra quem produz material independente. Areia Hostil: Rui, Topman, Cidade Cyber e convidados especiais. Responsabilidade editorial, qualidade gráfica e hqs divertidas. Dá pra ver o respeito que a equipe tem com os leitores e isso tem muito mais valor que o preço da edição. O O AH: Voltando a falar mais especificamente sobre o teu trabalho, tens por volta de quantos personagens? Qual o teu processo de criação? O JJ: Costumo citar normalmente só a Mulher-Estupenda, Lucy & Sky (personagens que criei para tirinhas) e Zohrn (que tem a ver com fantasia medieval). Além desses devo ter ser por aí uns 12 ou mais personagens, pra não contabilizar os coadjuvantes. Mas boa parte tá na gaveta. É como jogar baralho, você tem as cartas mas só vai usá-las quando for preciso. Se eu ficar criando muitos personagens não vou conseguir trabalhar todos eles. Cada um se adequa a um tipo de projeto. E criar demais pode te fazer perder a objetividade. Acho que os quadrinhistas tem que conviver com esse dilema e manter a criatividade sob seu controle, você não pode deixar a criatividade te dominar. É importante enxergar a praticidade das coisas.
O AH: Sempre que se fala em um elfo, de imediato pensamos naquelas criaturas orelhudas, elegantes e educadas... o Zohrn é um bárbaro pra lá de truculento... por que você o fez assim? Alguns jogadores de RPG (Role Playing Game) devem te odiar por causa deste personagem... O JJ: Her-her-her, só os que o Zohrn matou! Bem, quando comecei a jogar RPG resolvi criar como meu personagem um Elfo porrada, tipo Stallone. O engraçado é que virou mania, como o Zohrn aparecia num zine de RPG (O Pergaminho), todo mundo que lia o zine criava um elfão taludo e briguento, totalmente oposto à visão efeminada de elfos do Tolkien. O AH: Já em Lucy e Sky, o desenho infantil contrasta com a temática adulta das tiras. Fala um pouco sobre este trabalho. O
O JJ: Essa tira surgiu como aquelas coisas inspiradas que ou você pega a idéia e executa ou fica perdida pra sempre no limbo. Eu tava cansado do desenho acadêmico e cansado de histórias politicamente corretas. Então pensei como seria legal criar uma linha de trabalho onde eu pudesse mostrar as pessoas que para fazer quadrinhos não era preciso saber desenhar, mas passar as idéias. Sempre achei que a História é a coisa mais importante numa História em Quadrinhos, então pensei em comentar temas polêmicos através de personagens desenhados de maneira primária. Acabou dando certo, tão certo que já foi publicado em dois estados. O
O JJ: Carisma eu acho, mas tem outros fatores: ela é gostosa, bonita, inteligente e divertida, qualquer um ia querer ter a companhia dela por mais tempo. E sem dúvida ela é mais agradável de desenhar que um Elfão Bárbaro, truculento e mal criado. Surpreendentemente a Mulher-Estupenda tem angariado simpatia até em outros países via Internet, principalmente nos Estaites, terra dos Super-Heróis. O AH: Hoje é sabido que a ME é uma criação sua, mas rolou uns boatos que ela tinha sido criada por um quadrinhista americano, lá na década de 1940. De onde surgiu este papo? O JJ: Eu sempre tive dificuldade de escrever e desenhar meus próprios personagens. Era tipo um bloqueio. Minhas melhores hqs eram com personagens dos outros. Aí eu imaginei a Mulher-estupenda como sendo personagem de um autor desconhecido lá dos anos 40. Criei uma espécie de background sobre o qual poderia desenhar a personagem sem ter a pressão de ter que criar ago original. A Mulher-Estupenda não tem nada de original. Ela é tudo o que todos os outros heróis do universo são, a mesma coisa, a mesma fórmula. Se a personagem se destaca com relação aos quadrinhos que temos em banca é porque os caras que fazem os quadrinhos de banca (os gringos) “perderam a mão”. O AH: Ao lermos as aventuras da ME, realmente parece que se trata de uma HQ da década de 1940, 1950... Por que esta abordagem? E por que as HQs dela são sempre em quatro páginas? O JJ: Como eu disse na pergunta anterior. Os escritores de Super-Herói perderam a mão, não escrevem mais coisas divertidas como antigamente. E esta é minha obsessão persigo quadrinhos divertidos como o cachorro persegue o gato. Ás vezes esqueço até que essas hqs vão ser lidas por pelo menos uma centena de pessoas e simplesmente escrevo o que eu gostaria de ler. Quando sento pra desenhar a Mulher-Estupenda apenas sento e me divirto. É uma pena que meu tempo tenha que ser dividido entre outras atividades. A abordagem em estilo retrô surgiu junto com o pano de fundo das hqs, fiquei imaginando como ela seria se fosse desenhada na época dos clássicos CC Beck, Curt Schafenberger, Al Plastino, Wayne Boring, Curt Swan. E segui por esse lado. Sou fã desses caras, assim como também estão na minha lista Michael Alred, Steve Rude, Gary M artin e mais recentemente Gary Frank, Brian Hitch e Salvador Larocca. Eisner, Kirby, Jonh Buscema, Byrne e Miller (antes de DK2, aquela bosta) também são referências pra muita gente. Quanto às páginas: O formato das HQs da Mulher-Estupenda tem sempre 4 páginas por uma questão prática. Posso desenvolver algo legal em 4 páginas e deixar espaço para que mais gente possa publicar no Manicomics. Essa é minha forma de democratizar mais o espaço tão reduzido de uma fanzine. Se fosse preciso é claro que eu desenharia as mesmas HQs em 6, 10 ou 22 páginas. Mas é um bom exercício de síntese trabalhar HQs curtas. Se você consegue escrever uma HQ divertida em 1 ou 4 páginas, o resto você tira de letra. Fico meio preocupado quando vejo que os novos desenhistas só conseguem pensar em sagas complexas de 60 a 300 páginas. Sempre alerto meus alunos pra falta de objetividade de projetos como esses. Quem é que vai publicar 300 páginas de um desenhista iniciante que sequer amadureceu o traço e a linguagem?! Ora, nem os caras conhecidos estão publicando regularmente, o que dirá dos novatos. O
O AH: Quais os futuros projetos para a ME?
O JJ: Em Janeiro agora (2005) lancei um zine chamado Mulher Estupenda Fã Clube onde juntamente com alguns colaboradores publico textos sobre a personagem e sobre coisas legais da era de ouro e prata dos quadrinhos. A personagem também aparecerá no Areia Hostil na versão on line e na versão impressa também com hqs inéditas. Os fanzines Heróis Forever e Devoradores de Gibis apresentarão republicações. Estou feliz com estas participações pois trata-se de publicações que admiro bastante e cujos editores são pessoas que considero bastante. O
O JJ: Para Mulher-Estupenda tinha que ser uma atriz corajosa, tinha que ter peito pra encarar os desafios, tipo a Mari Alexandre ou Cida Marques. Humm... Pode ser que elas não sejam tão boas atrizes, mas são atrizes Boas e isso conta muito. Como Rapaz Assombroso tinha que ser alguém da nova geração, talvez alguém da Malhação ou algum ator mirim da novela das seis. O Arthur Lopes, o Rubico da novela ‘Como uma onda’ é uma peste, seria perfeito como Rapaz Assombroso. Mas se fosse seriado seria mais divertido que longa metragem. Já pensou?! Podia ser algo tipo o Batman do Adam West :) Ia ser hilário e não precisava de atuação nenhuma, só roupas coloridas vilões famosos e pancadaria gratuita. O AH: Sei que não é apenas o dinheiro que te faz levantar todas as manhãs com vontade de desenhar, pois se fosse assim, não serias editor de fanzine. Então, o que mais te serve de combustível artístico? O JJ: O desafio da autosuperação. Tentar a cada dia fazer melhor aquilo que você fez no dia anterior. Quando vejo um trabalho bem feito fico com muita vontade de trabalhar. Aliás, muita coisa me dá vontade de trabalhar, diante das grandes chateações minha solução é enfiar a mão na massa. O AH: Muitos quadrinhistas temem o fato do espaço virtual poder vir a substituir o suporte papel. Como você vê a internet em relação ao nosso trabalho? O seu site está para estrear, não? O JJ: O virtual está aí e pode ser usado pro bem e pro mal, não acredito que vá substituir o papel. E-book é máquina e máquina quebra, fica superada, cê tem que comprar outra, fazer upgrade... Livro não precisa de upgrade. Muita coisa no mundo das novas tecnologias só existe pra fazer as mega corporações ganharem dinheiro, no meio desse caminho se elas nos forem úteis vamos usá-las. É preciso distinguir quando as coisas são realmente úteis ou quando estamos apenas reagindo à lavagem cerebral que a mídia faz nas pessoas para que elas esqueças de viver e apenas consumam objetos, trocando o ser pelo ter. As pessoas precisam ser menos materialistas. Presente de natal é uma frescura. O que você tem que dar pras pessoas é respeito, amizade, consideração, coisas que não vende em shopping. O meu site já está pronto há três meses, mas de lá pra cá surgiram vários ajustes finos e acredito que logo esteja on line. Lá vai ter uma galeria de imagens, uma seção com quadrinhos, uma seção com tiras e uma seção chamada Tubo de ensaios, onde disponibilizarei contos, críticas, resenhas, matérias e textos diversos. O Conteúdo inteiro ficará on line por apenas 30 dias, no final deste período outro conteúdo ocupará este espaço, quem quiser ver o material do mês passado vai ter que aguardar o lançamento em CD no fim do ano. O AH: Como já estamos no final da entrevista, aqui vai uma pergunta um tanto irrelevante, mas que eu não poderia deixar de fazer: A maioria dos quadrinhistas que conheço se vestem de maneira bem despojada: calça jeans, camiseta e tênis... uns até usam brincos, piercings e tatuagens (e é aqui que me incluo). Já seu estilo é mais elegante: camisa, gravata, calça social e sapatos... você sempre se vestiu assim? O JJ: Não. Antes eu fazia o gênero blusa preta do Iron Maiden. Mas aí comecei a ficar barrigudinho e comecei a usar blusa de botão... Na verdade acho que os desenhistas de antigamente passavam uma certa respeitabilidade pelo modo de falar e vestir. Os artistas de hoje são mais irreverentes, vanguardistas, eu sou mais tradicionalista mesmo, acho que isso acaba refletindo no modo de vestir. O AH: Muito obrigado pela entrevista. Alguma palavra final aos nossos leitores? O JJ: Antes de tudo, agradeço ao Lorde Lobo e os demais amigos do Areia Hostil pela oportunidade e pelas excelentes perguntas. Por favor, continuem com este belo trabalho (tanto no site quanto na revista). Primeiro agradeço a todos que possam ter lido o texto até este ponto. Pra quem quer produzir quadrinhos: Não largue o osso! Vão te chutar, vão te dar paulada, pedrada, vão jogar ácido sulfúrico na sua cara, mas se você quer fazer quadrinhos não largue o osso! Faça! Pra quem não lê quadrinhos: O cinema é a maior diversão, mas muitos desses filmes que você foi ver vieram dos quadrinhos. Pra quem lê quadrinhos: Ainda tem bons quadrinhos sendo publicados em banca, mas se você for esperto mesmo vai procurar edições do Areia Hostil, Brado Retumbante e Manicomics. |