Areia Hostil entrevista

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Matias Maxx

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Por Abadauê (19/06/05).

 

 

Matias Maxx é fotografo, jornalista e editor da revista Tarja Preta. Já publicou na Showbizz, Veja, VIP, CMJ, Trip e diversos jornais. Através de sua produtora independente a Tarja Preta produziu e dirigiu os videos “Operação Free Jazz” (Res Fest – 2001), “Apartamento 206” (2º Santa Maria Cinevídeo – 2003, Mostra Cineanima de Belo Horizonte – 2003), “No a La Guerra” (Mostra do Filme Livre – 2004), "A Batalha do Real" (premiado no Cine Esquema Novo 2004 - Porto Alegre), "Bonde do Brejo - Engolindo Sapos " (Animamundi 2004 - RJ e SP, 3º Santa Maria Cinevídeo - 2004, RS) e o inédito "Dominação Bizarra" além dos videoclipes “Ontem eu Sambei” (Wado), “Monstros L.A.P.A.” (Inumanos) e “Eu te amo” (mim) exibidos na MTV, também fez câmera do curta "Superstição" (Curta Cinema 2004) de Allan Sieber, sobre um dia na vida da família de Paulo Cesar Peréio. Atualmente trabalha incansavelmente em editar, divulgar e distribuir a revista Tarja Preta (para saber mais sobre esta publicação, clique aqui). 

AH :Quais são os projetos para 2005?

MM: fazer uma animação dos "Remédios do mal" e do "Capitão Presença", editar um vídeo sobre a repressão policial na passeata verde ano passado em São Paulo. Lançar mais quatro edições da revista Tarja Preta... começar a produzir uma coletânea de bandas Tarja Preta... Envie seu material...

AH: O que tem mais com o selo Tarja Preta?

MM: Eu bolei esse nome em 1996 e a idéia era fazer uma revista com um jornalismo marginal, underground, uma coisa bem pesada, só que a época eu tava no segundo grau e nem sabia o que era Gonzo. Com o tempo comecei a usar o nome como minha marca, estampando o logo que o Gustavo Goose em todo trabalho e freela que eu produzia. Em 2001 eu fiz o meu primeiro video o "Operação Free Jazz" junto como Remier, ele passou na primeira edição brasileira do Res Fest. Mas pode-se dizer que o ano zero da Tarja Preta foi em 2003 quando fiz os "Apartamento 206" e o "No A La Guerra", em 2004 lancei a tão esperada revista Tarja Preta, desta vez predominantemente de quadrinhos, a revista tá no número 3 e a 4 está pra sair. Fora isso tenho planos de lançar umas graphics novels, um CD com coletânea de grupos de rap e um DVD com todos os videos até então...

AH: Fale um pouco de você e do seu amigo Juca (outro editor do Tarja Preta).

MM: Meu nome é Matias Maxx, moro no Rio de Janeiro, sou filho de Argentino e Uruguaya e como já morei e conheci vários lugares me considero cidadão do mundo. Faço zines conscientemente desde os quinze anos, mas desde moleque eu fazia umas colagens de quadrinhos que eu curtia, xerocava e mostrava pros amigos, por conta desse "talento" tentei estudar jornalismo mas não deu muito certo, no entanto como fotógrafo e jornalista fui colabroador da ShowBiZZ durante uns dois anos e publiquei em várias revistas, VIP, Trip, Vejinha, Play, Volume01 uma porrada de jornais e as gringas CMJ e La Banda Elastica. Também tenho meus trampos de video digital e animação que já foram exibidos em vários festivais pelo Brasil, o mais bombado foi o "A Batalha do Real" um micro-documentário sobre as históricas batalhas de freestyle que rolaram em 2003 na Lapa, transformando pra sempre a cena de rap underground carioca, esse video ganhou o polêmico prêmio de "Melhor atuação" pro Marechal e Don Negrone no festival Cine Esquema Novo em Porto Alegre e abriu as sessões do multi-premiado longa gringo "Freestylers" no fesrtival Hutus. Também divido com o Paulo Camacho a direção de fotografia do documentário "Sou feia mais tou na moda" sobre Funk carioca que tá estreiando em Londres e deve estar rolando aqui no Brasil em breve, o documentário é da Denise da Toscographics, produtora do Allan Sieber pra onde eu já fiz câmeras pro documentário "Peréio eu te odeio" e outras pendengas mais...

O Juca é meu vizinho, ele faz fanzine antes de mim, conheci ele na porta de algum showzinho de hardcore há dez anos atrás, o cara fazia o tosquicimo "Zine HC Pra mim e Pra Você" que tinha dentre resenhas e entrevistas uns quadrinhos muito mal desenhados e sem graça. Anos depois o cara lançou o "Motivo de Chacota" só de quadrinhos, dai a gente começou a colar mais e tocamos pra frente a Tarja Preta que era uma idéia que eu tinha desde 1996, na mesma época a gente fez a animação "Apartamento 206" as pressas pra entrar no animamundi, acabou não rolando mas foi classificado pra um festival em Santa Maria no interior do RS, a gente foi lá e se divertiu muito, no ano seguinte (2004)a gente fez o "Bonde do Brejo" que entrou pro Animamundi. No momento o cara tá enrolando pra entregar sua monografia na faculdade de jornalismo e trabalhando na Toscographics, fazendo calque e finalização no curta "Santa de Casa" e nas aberturas do "Sou feia mas tou na moda" e do programa de TV "Sem Frescura".

Matias e Juca

AH: Na sua opinião, qual o futuro do mercado de quadrinhos brasileiros?

MM: Acho difícil a gente um dia ter uma industria altamente comercial como a norte americana, Se depender da gente que tá se movimentando agora (Tarja Preta, F!, Mosh!, $ociedade Radioativa, Quase) vai ter espaço pra humor e quadrinho underground autoral.

AH: O que costumavas ler e o que tens lido agora?

MM: Acabei de ler o "On The ROad", nunca tinha lido, fiquei triste, os caras ficam o livro todo ouvindo be-bop, jazz e blues, se lamentando porque não nasceram negros, e no final eles vêem o México e os "indíos de pele morena" com um olhar altamente preconceituoso. Mas se você estiver falando de quadrinhos, desde que comecei a Tarja ando recebendo cartas e e-mails com quadrinhos de todo canto do Brasil, tem bastante coisa boa sendo feita em pequenas cidades de interior... Gosto da revista Víbora e Kiss da Espanha e de caçar a "Animal" nos sebos.

Sei lá, eu leio muita revista, porque trampo nisso, tenho que sacar o perfil das revistas pra poder vender pautas e tal. Antes do "On The ROad" eu li o "Batidão - Uma história do Funk" do Silvio Essinger, um livro muito bom que conta a história do movimento cultural mais carioca do Rio de janeiro.

AH: Quais outros fanzines que você destacaria hoje em dia, e por quê?

MM: Mais que fanzines, tão rolando boas revistas, curto a F! (que é quase uma dissidência da Tarja) e a $ociedade Radioativa. Mas é só folear o Q.I. do Edgard Guimarães pra sacar que tem muita coisa sendo feita pelo Brasil, do formatinho meio-A4 ao tablóide. Na iNternet eu curto o Urbe e o Trabalho SUjo, além do blog do Allan Sieber.

AH: E entre estes títulos citados, o que mais serviu de influência pro teu trabalho?

MM: Acho que nenhum... A Tarja Preta é o resultado de anos de conceitos e contatos, é algo inédito, tento combinar minhas paixões como o jornalismo gonzo e o quadrinho underground. Procuro evitar clichês e humor preconceiutoso. Sei lá, as referências no Brasil são aqueles quadrinhos de paródias sexuais bem vagabundos que rolavam antifamente, titulos gringos como as espanholas Víbora e Cañamo e a americana High Times também podem ser consideradas referências

Juca, Matias e Otto Guerra

AH: E quais os artistas - desenhistas ou roteiristas - que mais admiras?

MM: É complicado dizer... Comprometedor demais... Agora pessoalmente admiro bastante o Schiavon, que tem uma visão bem singular e crítica da humanidade. Todo o universo bizarro dos seus quadrinhos dele é baseado nos seus ideais que a uma primeira vista podem parecer deturpados, mas que na verdade são só um retrato sincero da realidade. Mas admiro todo mundo, tem gente que é quase parente como o Juca, o Goose, o MZK, o Allan, o Leonardo, a Dúnia, o Zé Colméia e o Johandson. Outros como o Jaca que eu só vi uma vez mas foi idetificação total. Tem o Daniel Paiva que é muito bom e produz pra cacete, num frenesi incontrolável. Tem o Arnaldo que é o gênio da galera, o filho d aputa que inventa os personagens, piadas e tiradas que todo mundo queria.

AH: Como é a cena quadrinhística aí no Rio?

MM: Ah! o Rio tá bem na fita... Aqui sempre teve essa tradição né? O Pasquim, a MAD e acho que a Circo eram aqui né? Tem um monte de cara bom como o Léo e o Allan morando aqui, e mais recentemente tem a Tarja a Mosh! e a F! surgindo daqui. Embora as gostosas cariocas do posto nove não estejam nem ai pra gente que faz quadrinho acho que a gente impõe respeito sim...

AH: Fale-nos da cena alternativa de sua região (bandas, eventos, fanzines)...

MM: Tá sempre mudando... Tem gente que diz que já foi melhor, mas a real é que todo ano rola uma fervilhação no verão, e no resto do ano a gente vê o que e quem sobrevive. Recentemente o que tem rolado legal é a cena Hip-Hop, que desde que começou a "Batalha do Real" em 2003, subiu muito em nível e números de MCs, se antes a gente tinha basicamente duas galeras ganhando espaço graças a força de nomes como o Marcelo D2 e MV Bill, hoje em dia a cena underground já caminha sozinha, dentro do unierso hip-hop ainda tem muitos grafiteiros fodões, como o Danilo, o Acme, o pessoal do Nação e Flesh Beck Crew... Fora do hip-hop tem várias bandas fodonas, com som bem peculiar como o Canastra, o Monstros do Ula Ula, o Matanza dentre outros. Uma coisa que eu achei sempre bem caracteristica no RIo é que a galera não é tão segmentada, há as pessoas que curtem a noite undeground, foda-se se a trilha é rock, rap, techno ou reggae (tem o pessoal do Digital Dubs Soundsystem tocando o terror na city...), e o reflexo disso tá no som híbrido que as bandas levam. Por aqui não tem muito essa de rolar galeras que só ouvem o mesmo tipo de som, usam o mesmo visual e tem as mesmas manias, sei lá, todo mundo é muito maluco, mistura a porra toda...

AH: E como se dá a seleção dos colaboradores do Tarja Preta?

MM: Cara, eu sempre conheci e admirei pessoas que faziam quadrinhos, alguns profissionalmente e outros pra gaveta de casa. Resolvi chamar toda essa galera pra formar o bonde. Dai a coisa foi se desenrolando naturalmente, como eu pensei no conceito da revista baseado no trabalho do pessoal que eu já conhecia, os próprios colaboradores foram se identificando e se emolando em colaborar toda edição. Dai o que começou a acontecer depois é gente de vários cantos do país conhecendo a revista e mandando trabalhos pra gente. Dai eu recebo, mostro primeiro pro Juca e depois vou mostrando pro pessoal e a gente vai vendo o que entra ou não entra, as vezes a gente se amarra no trabalho de um cara, mas as HQs tão muito toscas, velhas ou não tem o perfil da revista, dai a gente dá uma idéia nele pra fazer uma coisa pra revista. Tem neguinho que só de ouvir falar da revista, cata nosso endereço na internet e manda material, daí se a gente curte, a gente manda a Tarja pra eles de graça e diz "agora que tu conhece, faz alguma coisa pra gente". O importante é ter o espírito Tarja Preta, não basta uma piada ou um traço bem feito...

AH: Os colaboradores pagam alguma coisa para o Tarja Preta, para divulgar?  

MM: Hehehehehee... pagam nada! Tem uns que reclamam, achando que deveriam receber pra isso... Na real eu mando uma quantidade de revistas pra cada colaborador poder impressionar as garotas do bairro ou vender e poder bancar seus vícios. Mas depois que inventaram a mutuca de um ninguém fica na seca...

AH: Qual é a razão de estares envolvido com fanzines e bandas, num país como o Brasil que muito pouco valoriza as produções alternativas?

MM: Sei lá... Acho que minha mãe deve ter me derrubado do berço... Já tive alguns empregos de verdade, com carteira assinada e salários gordos, e o tempo todo recuso propostas pra ir trabalhar em produtoras ou redações... Acho que já dei meu sangue demais pelos outros, e agora estou afim de fazer algo que tenha minha cara. E como não tão oferecendo vagas pra isso eu abro minha própria vaga...

AH: Muitos quadrinhistas temem o fato do espaço virtual poder vir a substituir o suporte papel. Como você vê a internet em relação ao nosso trabalho?

MM: Acho isso besteira... acho que a internet te ajuda bastante a ficar conhecido e passar sua mensagem, porque é um suporte barato e muito ágil. Funciona muito bem pra tiras e cartuns. Mas HQs sempre são melhor de ler no papel... O que acontece é que cada vez tem menos gente produzindo no papel, mas é mais por falta de espaço e grana do que por qualquer coisa.

Juca conferindo alguns

cartazes de divulgação

do Tarja Preta

AH: Alguém já disse que a internet é o novo underground. Qual suas expectativas a respeito desta tecnologia?

MM: Não acho que a internet seja o novo underground, mas sim uma poderosa ferramenta pro undeground. É um ótimo meio de comunicação pra divulgar e vender seu trabalho.

AH: Profissionalmente falando, consegues viver da tua arte?

MM: Da Tarja Preta não... Mas pelo menos ela não me dá prejuízos, só me toma bastante tempo. Vivo de freelas de jornalismo, fotografia, cinema e até edição (já produzi fanzines e informativos para eventos), e o que o pessoal busca quando me procura é justamente o "toque underground" da parada.

AH: Conheces a cena do Rio Grande do Sul? Pretendes vir aqui, no Sul, algum dia, para conhecer nosso underground?

MM: Já visitei o RS três vezes, na primeira fui participar do Santa Maria Cine Vídeo e conheci muita gente bacana fazendo cinema de maneira apaixonada, descompromissada e barata. Depois voltei pra Porto Alegre pra participar do Cine Esquema Novo, dessa vez deu pra sacar que tem uma vibe cultural muito forte nessa cidade, muitos desenhistas loucos como o Fábio Zimbres e o Jaca. Também tem o X-Tudo do tamanho de um prato, a cerveja Polar e as minas mais bagaceiras do Brasil. Finalmente voltei ao sul uma terceira vez durante o Fórum Social Mundial de 2005 e conheci mais hippies imundos do que gente, conheci também o Coruja de Minerva que é um espaço alternativo bem maneiro. Agora em nenhuma das vezes fui a shows de bandas daê, só conheço as bandas gaúchas que já tocaram no rio, Wander Wildner, Defalla, Replicantes, Graforréia, Jupter Maça.

AH: Na próxima Traja Preta vai ter uma HQ falando da viagens e sobre o F.S.M? Quem vai fazer?

MM: No editorial da Tarja Preta #4 eu pretendia falar alguma coisa sobre jornalismo Gonzo de qualquer jeito... Ele tem uma bela parcela de culpa na nossa viagem pro Sul, "Medo e Delírio em Las Vegas" tava nos antecedentes culturais de todos nós. Quando nos jogamos na estrada estávamos assumidamente influenciados pelo espírito do livro, a época e o cenário são outros, mas os objetivos o mesmo, a mesma procura inconseqüente pelo que o Thompson chama de "sonho americano" e a gente pode explicar como chegar ao topo fazendo pouco esforço e se divertindo de montão. A gente tá preparando umas vinte páginas de textos meus, uma reportagem em quadrinhos da viagem feita pelo Juca, alguns quadrinhos do Daniel Paiva sobre o Fórum Social e vários cartuns e tirinhas que bolamos juntos, na estrada ou nos cafofos que ocupamos. Essa vertente do jornalismo gonzo em quadrinhos foi algo que a gente sempre procurou desde a primeira edição, o que faltava eram pautas. Engraçado que a gente tenha tido de fazer a nossa própria história pra inaugurar essa fórmula.

AH: Como esta sendo as viagens para divulgação?

MM: A viagem pro Sul foi uma das trips mais inconseqüente e irresponsáveis que eu já fiz na vida... mas foi divertido...O Fórum Social foi meio decepcionante, esperava fazer mais contatos e divulgar mais a revista, mas também não tava com muita paciência pra toda aquela hippairada e lenga-lenga. Mas rolou de fazer um sound system no acampamento que foi muito classe, a divulgação mais efetiva foi com o povo de porto alegre, marcamos presença na galeria adesivo no Coruja de Minerva e talz. Na mesa trip a gente fez uma divulgação legal em Curitiba numa festa que lotou de gente seca pra conhecer a revista e em Floripa onde tocamos o terror na rádio Atlântida e fizemos um baile de carnaval na pousada Hi-Advetures com um monte de gatinhas de biquíni, skatistas e surfistas sangue bão e boldinho a dar com o rodo... Fora isso a gente tá sempre indo pra Sampa, onde a revista já é bem conhecida.

AH: Como esta sendo a repercução do blogger do Tarja Preta?

MM: Ahhh, eu tou na internet desde 1996, fazia um e-zine chamado P@RaToDoS, ainda tá no ar, depois em 2001 comecei a fazer o Cucaracha, sou pioneiro nessa porra. Só que hoje em dia todo mundo tem Blogger, Fotolog, Multiply, um monte de merda e fica se achando fodão porque atualiza cinqüenta vezes por dia e tem um milhão de acessos de gente que não tem porra nenhuma pra fazer na vida. Daí essa galera me encontra na night e começa a encher o saco - ah! tu não atualiza teu site.. tu não atualiza teu site... - dai transformei o site da Tarja num Blog pra contar novidades, publicar umas artes, essas paradas. Eu sei que um monte de gente lê porque recebo uns e-mails e as pessoas falam quando eu encontro com elas na rua, no entanto ninguém posta comentários, só o Juca e alguns amigos, dai eu não sei... comentários são legais... garotas! se vocês estiverem lendo isto... comentem!!!

AH: E os gringos estão gostando do Tarja Preta?

MM: O Manu Chao é parceiro.. conheci ele em 2001 e publiquei uma entrevista de oito páginas na showbizz, acho que foi uma das maiores já impressas... o cara é foda, depois disso esbarrei com ele várias vezes e nas mais recentes larguei umas Tarja Preta com ele, dai volta e meia eu recebo e-mail de algum canto do mundo falando da revista, dai eu pergunto "maneiro! mas como tu conheceu a revista?" dai eles responde "Manu passou por aqui e me descolou um exemplar..."

AH: Quais as melhores lembranças de tua vida, como um autêntico artista da cena independente brasileira, nestes últimos anos? 

MM: Acho que foi a viagem que fizemos pro Sul, onde todas as cidades que chegávamos tinha gente que já conhecia a revista esperando por nós. Em Curitiba foi surpreendente, a gente nunca tinha mandado revista pra lá e as pessoas lotaram a festa de lançamento no Retrô comprando revistas, camisetas e calcinhas Tarja Preta, teve uma bicha que ficou me perturbando pra comprar fiado uma calcinha que tinha uma mancha de porra na bunda desenhada a mão pelo Allan Sieber, além de um anão besuntado na parte da frente. Acho que as melhores lembranças são o reconhecimento das pessoas que tu nunca viu na vida... Além das viajens, como fotógrafo e jornalista já viajei de graça pra Manaus, Recife, Natal e Belo Horizonte, mas essas já são outras histórias...