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Areia Hostil entrevista O Wellington Srbek O Por Vagner Francisco (18/09/05)
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Vencedor de 5 troféus HQ Mix (incluindo aí o de melhor roteirista) e 2 prêmios Ângelo Agostini. Suas obras sempre inspiram novidade. Seus parceiros estão sempre entre os “grandes” dos quadrinhos (saudoso Flavio Colin, Júlio Shimamoto, Mozart Couto) ou candidatos a (Laz Muniz, Fernando Cypriano, Klévisson Viana). “Namora” há um bom tempo uma chance de ver seu excepcional material publicado por uma editora nacional (inclusive uma delas – não vamos dizer qual – está considerando a hipótese). Aguardem novidades! Enfim... ele é a contradição para aqueles que dizem não haver bons roteiristas no Brasil.
Areia Hostil: Do lançamento de Apócripha para Monstros, passaram-se 2 anos. Por que um hiato tão extenso?
Wellington Srbek: Na verdade, se dependesse só de mim, eu lançaria uma revista por mês. Mas não depende. Sempre que lanço uma edição, tenho que arcar com os custos de impressão e divulgação, além do pagamento aos desenhistas. Levei quase dois anos para lançar uma revista depois de Apócripha porque esta ainda não se pagou. Contudo, neste período não fiquei parado e já tenho, desde 2004, um álbum de 120 páginas pronto, aguardando uma editora que se interesse em lançá-lo.
AH: E do que se trata esse álbum? Pode adiantar um pouquinho?
WS: O álbum foi produzido entre 2002 e 2004. Ele se chama Muiraquitã e tem 5 capítulos em que mostro personagens de nossa cultura popular, como lobisomem, saci, curupira e caipora, tudo porém com uma abordagem moderna, para o país de nossos dias. A história tem como personagens principais o biólogo "Miguel Andrade" e o estudioso de fenômenos sobrenaturais "Cornelius Flamarion" (homenagens a Mário de Andrade e Flavio Colin). Os desenhos ficaram por conta de Laz Muniz.
WS: Monstros é uma edição feita por amigos que têm em comum a paixão pelos quadrinhos. A revista segue a linha de publicações anteriores, como Mirabilia e Fantasmagoriana, sendo em parte uma homenagem aos monstros clássicos.
AH: Quais são suas influências artísticas?
WS: Minhas influências são muitas, variando de trabalho para trabalho. Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Bob Dylan, muita coisa da cultura popular, mitologia indígena, filosofia, literatura, arte moderna. Nos quadrinhos, tudo que li me ajudou a me formar como roteirista, os antigos Moebius, Frank Miller e Alan Moore em especial.
AH: Você é metódico em suas criações ou gosta de se deixar levar?
WS: Basicamente eu crio histórias que gostaria de ler mas que não existem, e que portanto tenho que criar para poder ler. Não tento controlar minhas criações e, em alguns casos, notoriamente em Estórias Gerais, num dado momento eu acabo me tornando o instrumento da auto-realização da história, que passa a se contar por si mesma.
AH: Quais as suas opiniões sobre:
a) O mercado atual de quadrinhos:
WS: É relativamente diversificado, embora os preços altos dificultem o acesso a boa parte do que é lançado. Para quem faz quadrinhos no Brasil ele já foi pior; ainda assim, quem diz que há aqui um mercado de quadrinhos para autores brasileiros, de duas uma: ou está enganado, ou está querendo enganar alguém.
b) A cultura brasileira em geral:
WS: É incrível, apaixonante e variada. Uma fonte inesgotável de histórias, como dizia meu amigo Flavio Colin. Infelizmente, a maioria dos quadrinistas daqui prefere copiar modismos estrangeiros.
c) Seu HQ Mix de Melhor Roteirista:
WS: Já recebi cinco HQ Mix, incluindo o de Melhor Roteirista e dois Angelo Agostini na mesma categoria. Prêmios são sempre motivo de alegria, pois nos mostram que pessoas leram e gostaram de nosso trabalho. Espero poder publicar muitos outros trabalhos e ganhar novos prêmios.
AH: A política atual:
WS: Absurda e criminosa.
AH: Você ainda lê quadrinhos? Se sim, o quê?
WS: Claro que ainda leio quadrinhos! É a paixão por eles que me mantém atuando há tanto tempo como editor independente. Leio menos do que gostaria, por falta de tempo e pelo preço proibitivo das edições de livraria. Mas basicamente tenho lido coisas dos anos 80, de melhor qualidade do que tem saído nas bancas hoje. Dos atuais, tenho lido a série Swamp Thing do selo Vertigo.
AH: Você tem acompanhado algum material brasileiro?
WS: Dos nacionais, o que tenho lido são as boas edições da Marca de Fantasia, do Henrique Magalhães, um cara batalhador que começou num esquema artesanal e tem conseguido uma ótima qualidade editorial. Aliás, sugiro uma entrevista com ele. Também acompanho o trabalho de fanzineiros com os quais me correspondo.
AH:
E desses fanzineiros, você pode citar algumas obras que mereçam destaque?
AH: Quais seus próximos projetos?
WS: Tenho um roteiro de 100 páginas sendo desenhado, com a reformulação para álbum do personagem "Solar", que publiquei em série nos anos 90. Além disso, tenho muitos outros projetos que dependem, como eu já disse, de tempo e dinheiro.
AH: Bom, Wellington, para nós foi um prazer ter conversado com você. Esperamos que consiga atingir todos os seus objetivos nessa jornada quadrinhística. E caso queira deixar um recado aos fãs, o espaço é seu.
WS: “Fãs”!? Eu tenho algum fã?... Deixando a brincadeira de lado, eu quero agradecer a oportunidade da entrevista e convidar os leitores a conhecer os quadrinhos brasileiros. Garanto que encontrarão boas surpresas! |